Já estava soltando fogos na minha cabeça, comemorando uma viagem para o Rio com dois assentos vagos do meu lado. No último minuto, a aeromoça sugeriu – sorrindo muito – que eu trocasse de lugar para acomodar melhor uma família com duas crianças, sendo uma de colo. “Marcaram o nosso assento separado na viagem”, marcaram? Sei.
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Fui parar na primeira fila, corredor. Uma senhora baixinha na janela e, no meio, uma mãe com uma criança de colo que explorou, durante todo o voo (ô o ôo), aqueles agudos que só as crianças, os eunucos e a Mariah Carey conseguem atingir. O povo olhava pra mim com uma certa solidariedade.
Tentei o discman, a bateria acabou ao fim da primeira música. A aeromoça ofereceu um biscoitinho e funcionou. Por cerca de 5 minutos. Rebeca chorava e esperneava, mesmo com a mãe tentando acalmá-la. Será que ela não queria se chamar Rebeca?
Busquei distração no papel de parede, que tinha uma estampa parecida com plástico bolha e tive outra ideia:
- Oi, Rebeca. Que vestido lindo você tem. Vamos brincar de contar quantas bolinhas tem na parede?
Achei que ela não saberia contar até um, então apelei para aquele otimismo egoísta: “deve ter alguma coisa muito boa guardadinha pra mim no futuro, eu sei.”