Às vezes subo sozinho para o almoço, o refeitório fica no 6ª andar. Quatro lances de escada para descobrir que, nos dias de sol, eu gosto de almoçar sozinho (2). Não domino a técnica de mastigar e engolir nos momentos da fala alheia e acabo com o ritmo da conversa.
Dó.
Quando a companhia é boa, eu me divirto horrores. Mas, na maioria das vezes, tenho a impressão de que as pessoas querem concordar sobre os assuntos do dia, mesmo que elas não saibam exatamente do que se trata. Se o caso Isabella foi traumático, imagine as Olimpíadas. No trabalho, é tudo previsível e diplomático demais, não é minha gente?
É, se eu gostasse de futebol, seria mais feliz. Vai falar de moda numa mesa de homens. Viu a cara de deboche? Não quero que as pessoas sejam profundas o tempo todo, mas uma surpresa não faz mal a ninguém. “- A pessoa diz que você vai sofrer e o que você faz? Vai lá e sofre!”
Fui discordar quando disseram que a “arte em São Paulo é melhor do que arte no Rio”. Acabei me exaltando e pronto: virei a caricatura da Fernanda Young. Isso me fez um mal. (Não pela IFY, mas pela situação). E ainda tive que ouvir:
1. “Não vem nada de bom pro Rio, o público daqui não tem dinheiro para comprar arte…”
2. ”Lá tem bem mais (exposições). No Rio só tem o MAM… o CCBB… o MAC… hummm… …” (contando em uma mão de CINCO dedos).
Aí fico pensando, né? Quando eu fizer terapia, vou levar esse assunto. De qualquer forma, não gosto de me exaltar (e foi uma mini exaltação) porque não é elegante. Faço aqui um voto de cinismo para as horas de discordância (com as mesmas pessoas) na frente daquele purê de batatas delicioso, que deve ter uma gema no meio pra ficar cremoso e combinar com o brócolis cozido no vapô com alho.
“we need to find like-minded companions”.
26 / Agosto / 2008 às 2:14 am |
às vezes eu finjo que não ouço as pessoas no almoço e demoro mais tempo mastigando.