Los Poliglotas

By Samuca

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Depois de um tempo sem vê-la falar, descobri que o sotaque da Bjork está cada vez mais forte. Eu comentei a maravilha que é ela abandonar o inglês no meio das músicas e cantar num islandês que não vem impresso no encarte e nem parece ter tradução. Pode ser só um tchurap tchuru do frio, mas acho que, daqui a um tempo, ela vai estar falando só islandês e vai ter uma tradutora para entrevistas.

Hoje o Diogo veio conversar comigo sobre o creole haitiano, que é tipo um francês mega coloquial. Ele disse que tem creole português também, o cabo-verdeano. Simplificando, o básico é: contrair sempre que possível e grafar as palavras o mais próximo da fala, incorporando palavras de outra língua. Ele extraiu algumas coisas dessa música que viu no YouTube, coisas como “spia-lá

Diogo tem uma teoria de que a nossa lingua vai caminhar nessa direção. Na Wikipedia, vi que creole tem origem em “criar” e é usado pra designar línguas estáveis, criadas a partir de duas ou mais línguas diferentes. Aqui no Brasil, ficou o Cafundó, um português falado no interior de São Paulo, com fortes temperos de bantu.

Descobri que a Bjork dedicou Isobel à Elis, daí teria surgido a versão que ela fez de Travessia, cantando em português sotaqueado. Baixei o segundo CD de Isobel, procurando o remix que eu tinha ouvido antes do show do Lenine, no Circo Voador. E tudo fez sentido quando li “Deodato mix”.

Só pra confundir um pouco mais o post: o Phil, o garçon mais elegante – e um dos mais queridos – do Ocean Reef, disse que os haitianos aprendem cerca de 17 dialetos, além do francês e do creole. Eu só lembro de “massissí”.

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